Meu Namorado

é Um

Fantasma


Escrito por: Júlia Rodrigues e Neldo Campos.

Meu Namorado é Um Fantasma

Escrito por: Júlia Rodrigues e Neldo Campos.
Stéfane Lavigne era uma garota comum na Escola, cujos os objetivos eram namorar com um craque de futebol e se tornar na garota mais popular da escola. Mas tudo muda quando ela conhece Jason, um jovem fantasma que sofre o risco de desaparecer para sempre. A Stéfane é a única pessoa que consegue enxergá-lo, e a única que pode salvá-lo.

As horas passavam lentamente como se houvesse uma paralisia no tempo, e eu aqui sentada sendo obrigada a assistir esta maldita aula. Eu odeio psicologia e tudo que envolve estudos mentais.

O ano letivo começou à duas semanas atrás e, já estamos sendo preenchidos de coisas desnecessárias no cérebro.

   – Tenta não dormir. – Suzanne sussurrou nos meus ouvidos. Ela estava sentada atrás de mim.

   – Eu não estou dormindo, só quero que ele pare de falar. – Sussurro de volta.

 O professor ensinava sobre a Psicanálise, Inteligência e, tudo que eu não gostaria de saber. O meu maior desejo naquele momento era que ele calasse a boca, com todo respeito, claro.

   – Senhorita Lavigne, acho que tens para acrescentar. – O professor me apanhou em flagrante enquanto trocava palavras com a Suzanne.

   – Eu não acho não! – Respondi com toda certeza.

   – Saiba que numa sala de aula não pode haver duas pessoas falando ao mesmo tempo, neste caso, eu sugiro que a senhorita venha aqui em frente e prossiga com o que eu estava explicando, ou caso contrário, se retire da minha aula e eu marcarei pontos de indisciplina. – Dizia o professor. Só não entendi o porquê ele me chamou de “senhorita.”

Quem diria, um professor tão jovem e atraente por fora, ser um grande demônio por dentro. Levantei e fiz o que ele havia ordenado, estava cheia de vergonha.

   – Agora prossiga. – Ordenou o professor.

Eu não sabia exatamente o que explicar, pois nem sequer estava prestando atenção na aula.

   – Por favor senhorita, não fique parada que nem estátua. – Professor me repreendeu. – Fale alguma coisa.

   – Ela só deve estar de TPM. – Os rapazes mais burros da sala comentaram, tendo feito a classe inteira rir de mim. Estou com vergonha de mim mesma e com raiva dessas bestas com cérebro minúsculos.

   – Todos nós sabemos que és bonita, agora por favor, diga alguma coisa. – Dizia o professor enquanto sentava em cima da mesa.

   – A psicologia é… – Fui salva pelo campainha da escola, que tocou indicando o fim da aula.

Todos os colegas arrumavam as suas pastas para puderem finalmente se retirarem da sala.
Estava fazendo o mesmo até que o professor me segurou no braço esquerdo.

   – Não pense que terminamos por aqui, linda mocinha. – Ele me segurou com tanta força que eu consideraria como agressão física. – Amanhã irás contar para toda classe a história da psicologia clássica. – Dizia o professor.

   – Tudo bem. – Infelizmente, eu me senti intimidada por ele.

   – Muito bem, agora pode ir. – Ele soltou o meu braço, depois do mesmo ficar avermelhado.

   – Então, podemos ir? – Suzanne perguntou, pois estava me esperando na porta da turma.

   – Claro. – Corri até à ela com a minha pasta semi-aberta.

O corredor estava muito movimentado, muitas caras estranhas e adolescentes de diversos comportamentos.

   – O que o professor estava falando contigo? – Suzanne me perguntou.

   – Ele disse que amanhã terei que contar uma história de amor sobre a psicologia, que chatice. – Respondi enquanto saíamos da escola.

   – E o que tem de errado? – Ela sorriu.

   – Tudo. Você sabe que eu não entendo nada sobre psicologia, muito menos a história dela. – Respondi enquanto íamos até ao carro da Suzanne, já fora da escola. – Eu acho que o professor me odeia.

   – Como um professor gostoso como aquele pode ter ódio de alguém? – Suzanne perguntou enquanto adentrava no carro.

   – Ele pode ser bonito, mas… gostoso?

   – Não podemos negar a realidade. Não me diga que não achas ele gostoso. – ela respondeu enquanto colocava o cinto de segurança.

   – Wow não consigo acreditar. Você está apaixonada pelo professor de psicologia?

   – Não sou culpada por ele ser tão gostoso. – Ela afinou o tom de voz.

   – Mas ele é teu professor. – Tentei invocar o bocado de juízo que ainda restava no cérebro dela.

   – E daí? – Ela perguntou.– Ele é meu crush.

   – Vou fingir que nunca tivemos esta conversa.

   – Tá, vai ou não entrar no carro? – Ela ficou aborrecida.

   – Claro. – Entrei…

A Suzanne tem um um Ford Ranger cor de rosa que os seus pais lhe deram de presente em seu aniversário dezoito anos.

***

  – Você sabe o que irá acontecer nesta noite? – Suzanne me perguntou
enquanto dirigia.

    Não. Mas estou com pressentimento que você irá me falar.

    Claro. – Ela sorriu. – Hoje haverá a festa de pijama na casa da Melanie.

   – Oh não! – Recusei antes dela sequer me convidar.

   – Oh sim, e adivinhe quem estará lá?

   – Quem?

   – Nós. – Ela voltou a sorrir.

   – Oh não. – Rejeitei o convite novamente. – Eu tenho coisas mais importantes para fazer do que estar na casa da minha inimiga.

   – Veja pelo lado positivo. Essa pode ser a nossa única chance de finalmente sermos populares. Você não quer isso?

A Suzanne nasceu obcecada em se tornar popular, inclusive, ela seria capaz de beijar um sapo só para acordar como princesa na dia seguinte. Mas eu algo me diz que ela já fez isso, e pelos vistos não deu certo.

    Você não pode estar falando sério. – Continuei rejeitando.

   – Talvez, mas pense no que irá acontecer depois de nos tornamos populares. Pense em todos os rapazes que estarão morrendo por nós, pense nisso. – Ela parecia muiiitoo empolgada.

   – Eu não acho que isso é uma boa ideia.

   – Olha, você quer que o Pedro seja o seu namorado ou não?

   – Claro que quero, mas… – Ela me cortou, sem eu terminar de falar.

   – Então seja popular. – Ela respondeu. – É o único jeito dele ficar contigo.

   – Claro que é o único jeito. – Fui sarcástica, (só por curiosidade).

   – Então, hoje a noite irei te buscar e juntas iremos até a casa da Melanie.

   – Está bem. – Aceitei, mas algo me diz que vou me arrepender depois.

   – Não mude de ideia. Ou eu te mato. – Suzanne me ameaçou com as mãos dela tão pequenas e macias.

***

   – Chegamos, pode descer. – Disse Suzanne. E assim o fiz. Ela me deixou na porta da minha casa.

   – Nos veremos mais tarde, se cuida. – Nos despedimos.

Finalmente cheguei em casa, depois de ter um dia horrível na escola, eu realmente precisava de um bom descanso.

Mal entrei dentro de casa e flagrei minha mãe aos beijos com o meu pai no sofá da sala, ah que nojo.

   – Mãe. – Gritei, interrompendo o romance.

Eles pareciam assustados, como se fossem duas crianças flagradas roubando comida na panela.

   – Hoje você terminou a escola muito cedo. – Minha mãe disse enquanto ajeitava a roupa.

   – Desculpa filha, não sabíamos que você chegaria cedo. – Meu pai desculpou-se, gaguejando.

   – Graças a Deus cheguei antes do vosso clima esquentar demais.

   – Ótimo, preciso beber água. – O pai se retirou da sala.

   – Como foi a escola? – Mãe me perguntou enquanto sentava.

   – Foi incrivelmente maravilhosa. – Soltei um sorriso gigante e sarcástico.

   – Oh, estou muito feliz que a minha menina tenha adorado. – Notava-se o outro sarcasmo no tom de voz dela.

   – Não, estou mentindo. – Tirei a pasta das costas. – A escola foi horrível, muito horrível, e não penso em voltar para lá.

   – Ótimo, isso é muito bom. Agora vá trocar de roupa e, se prepare para comer. – Ela parecia mais concentrada em procurar canais na TV.

   – Claro. – Me retirei da sala segurando a minha pasta nas mãos.

***

Somente os Deuses sabem como eu sinto tanta falta do meu quarto. Não há nada que possa substituir estás paredes rosas. E apesar de ser pequeno, eu gosto do jeito que o meu quarto está organizado, um estilo único.

Verifiquei se o que a Suzanne tivera me dito fosse verdade, e sim, é verdade. A maioria das páginas no Facebook só falam da noite de pijama da Melanie, a moça mais popular da escola, filha de um multimilionário e blá blá blá..
Acredito que nenhuma menina da escola irá faltar nessa noite, inclusive eu. Mas na verdade, somente irei porque a Suzanne insistiu tanto, e não quero deixar ela sozinha.

***

Infelizmente não resisti à tentação da minha cama, que me chamou tão românticamente.
Num piscar de olhos, deitada na cama, as horas passaram tão depressa.

As notificações de mensagens da Suzanne me acordaram, ela me enviou mensagens no Twitter dizendo que estava vindo me buscar.

Tomei um banho curto de espuma, fiz a minha maquiagem, e vesti o meu melhor vestido.

Meu estômago palpitou depois do meu nariz ter recebido um cheiro delicioso de uma boa refeição. Provavelmente o jantar já devia estar pronto.

Eu não gosto de violar as minhas regras alimentícias, mas confesso que não consigo resistir a uma boa comida. É complicado, eu gosto de comer o que não deveria comer, e não gosto de comer o que deveria. Eu acho que temos que ter mais liberdade na alimentação, pois nós devemos comer o que queremos, e não nos sentir forçadas a obedecer certas regras.

   – Olha quem apareceu. – Minha mãe falando com meu pai depois de eu ter chegado na sala de jantar.

   – Está muito linda menina. – Meu pai simplesmente me elogiou.

   – Obrigada pai. – Me juntei à mesa e servi a feijoada deliciosa.

   – Stefáne… – Meu pai chamou a minha atenção.

   – Sim pai.

   – Eu e a sua mãe gostaríamos de ter uma conversa séria contigo.

   – Está bem. – Coloquei um pedaço de carne na boca. – Prossigam.

   – Eu e a tua mãe estivemos pensando em algo para manter a nossa família mais únida, e hoje chegamos numa conclusão.

   – Sério? Eu achava que a nossa família já era unida. – Comentei. – Mas, diz, qual é a conclusão?

   – Nós queremos ter mais um filho. – Minha mãe respondeu.

   O quê? – Engasguei, e destruí o batom nos meus lábios.

   – É o único jeito que eu e a sua mãe encontramos para fortalecer a nossa família. – Meu pai explicou.

   – Mas… Eu estou aqui. – Gaguejei. – Não precisamos de mais ninguém.

   – Não é assim que funciona minha princesa.

   – Eu não acredito que vocês tomaram uma decisão sem mim. – Parei de comer. – Consigo ver que a família não é mesmo unida.

   – Não há razões para entrar em pânico. – Minha mãe tentou me acalmar. Eu acho que eles perderam o juízo.

A Campainha de casa tocou, provavelmente era a Suzanne.

   – Quem será à essas horas? – Meu pai perguntou.

   – Deve ser a Suzanne. Prometi que irei dormir na casa dela hoje. – Levantei da mesa e segurei na minha bolsa pequena.

   – Mas está muito tarde. – Meus pais protestaram

   – Não se preocupe. , ela tem carro. Tchau. – Fui até ao encontro dela, na porta.

   – E desde quando “ter carro” é garantia de segurança? – Meu pai acrescentou, mas eu me retirei de casa antes de responder…  

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